quarta-feira, 12 de junho de 2013

A Estrada Real- um percurso pela história de Minas Gerais- 1º dia: de Ouro Preto a Cachoeira do Campo-35 km

No hotel em que nos hospedamos, havia chegado dias antes, um grupo de pessoas de língua espanhola que participavam de um congresso Ibero-Americano de sociologia, de modo que não foi por acaso que a barulheira havia começado assim que meu relógio despertou às 5.30 h.

Assim que me arrumei e coloquei as coisas na mochila, olhei pela janelinha e vi que o tempo estava bem carregado, com presença de pesadas nuvens de chuva. Caminhar com chuva não é nada agradável sendo ela um adversário duro de enfrentar.

A salinha de café do hotel  é muito acanhada, de modo que tivemos que nos apertar daqui e dali para um café de fracas porções, disputando com a espanholada, nacos de bolos, fatias de frutas e os pães de queijo que fizeram a alegria da gringada.
Findo o café fizemos os acertos financeiros para em seguida, arrumados  e preparados com a roupa adequada, sairmos para  enfrentar o mau tempo.

Deixamos as mochilas na portaria para serem levadas pela Regina até a próxima pousada em Cachoeira do Campo e para isso contratamos um táxi.







Saímos sob uma fina garoa caminhando em passos curtos pelas escorregadias ruas de pedras da cidade, subindo em direção ao trevo da MG 030, apreciando a beleza dos arranjos de tapeçaria e lençóis bordados, estrategicamente colocados nos parapeitos das janelas, numa demonstração inequívoca da religiosidade popular mineira, pois no dia seguinte seria celebrado o dia de Corpus Christi que é a celebração em que, solenemente, a Igreja comemora o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, sendo o único dia do ano que o SS sai em procissão às ruas. 
Nesta festa os fiéis louvam e agradecem a Deus pelo inestimável dom da eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio para nossa alma.
A Eucaristia é fonte e centro de toda vida cristã.
Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja e do próprio Cristo.
Saiba mais sobre o significado e história do Corpus Christi.

                                  

Passamos pela antiga Escola de Engenharia de Minas e Metalurgia e galgamos o asfalto em direção ao trevo, alcançado cerca de uma hora depois.
Nesse ponto deixamos o asfalto e começou uma longa e penosa subida em estrada de terra batida e barrenta que liga Ouro Preto a São Bartolomeu e Glaura, nossos destinos. 
Volta e meia aparecia um ou outro caminhão e noutras vezes,  bandos de motociclistas paramentados com roupas coloridas que se destinavam às inúmeras trilhas disponíveis na região, essencialmente montanhosa.

Perto de uns 1.500 metros depois de iniciada a forte subida, o marco sinalizava uma conversão à esquerda para pegar uma trilha demarcada( abaixo) onde deveríamos atravessar a cerca e cair na trilha

Ponderei aos demais colegas que, devido às fortes chuvas caídas em dias anteriores e mais especificamente a da noite anterior, não seria prudente adentrar aquela penosa trilha de 15 km coberta de densa mata, sob o risco de nos defrontarmos com marcos caídos ou encobertos pelo alto matagal e assim perdermos o rumo. A altitude ali batia nos 1.400 m, segundo o guia altimétrico da ER-( foto abaixo da densa mata).
                                         

Assim deixamos de ver  um famoso chafariz de 1792 e percorrer essa trilha que era usada por governantes, tropeiros e viajantes nos séculos XVIII e XIX para, em nome da segurança, caminharmos pela segura estrada rural que se descortinava à nossa frente.

Seguimos em passos rápidos por aquela estrada erma e sem vivalma.
Dali descortina-se um grande cenário montanhoso, com muita mata e ao longe pudemos observar um grande pontilhão de trem.


Conversávamos aproveitando o silencio sepulcral do lugar, trocando ideias e planos. Atravessamos eucaliptais ao lado de muita mata nativa fechada, em terrenos impróprios a qualquer atividade agro-pastoril, uma vez que o que predomina é o minério.
Depois de muito andar começamos a ver sinais de civilização como a Fazenda Vida Nova, mas gente mesmo nada!

Bem mais tarde, por volta de 11 horas, atravessamos o pontilhão antes mencionado para logo uns km à frente avistarmos São Bartolomeu.

"O Arraial do Apóstolo São Bartolomeu é dos mais antigos das Minas, sendo seus mais remotos documentos datados de fins do século XVII. Entre os vestígios remanescentes do período áureo cumpre destacar a Igreja do padroeiro, cujos altares demonstram uma fatura recuada em Estilo Nacional Português, isenta ainda da ornamentação antropomorfa (que está presente na Matriz de Cachoeira, por exemplo). A própria arquitetura desta igreja é prova também da antiguidade do local, sendo a fachada - com suas três janelas, as torres com telhadinho e os cunhais de madeira - típica da primeira 'fase' construtiva que Minas conheceu. Sua fachada e seu interior, bem preservados, nos dão uma idéia de como eram as primeiras igrejas matrizes erguidas com o esforço dos mineradores.
No interessante casario preservado neste povoado podemos encontrar certas curiosidades. Em algumas casas, por exemplo, encontram-se raridades do século XVIII e XIX: oratórios públicos inseridos nas construções. Há pelo menos três destes oratórios na rua principal. O casario se estende por uma comprida rua retilínea (certamente projetada), sendo dominada, de um lado, pelo largo da Matriz, com seus muros de arrimo de pedra.
Os enormes monturos de cascalho ao longo do Rio das Velhas (a poucos quilômetros das nascentes), as muitas minas e saris (ou sarilhos) indicam a atividade mineradora dos primeiros anos do setecentos. Foi encontrado há poucos anos, perto desses monturos, um delicado estojo de cadinhos, com numeração ainda preservada, usado, ao que parece, na pesagem do ouro.
Em agosto a imagem de São Bartolomeu é alvo de romarias vindas de várias partes do Brasil, à procura dos milagres do padroeiro. Na festa do santo apóstolo, o mundo profano se mistura com o sagrado, barracas de jogos e doces se misturam com vendedores de velas e terços. Gente de toda a parte movimenta o pequeno povoado. Esta religiosidade, sempre presente em São Bartolomeu, nos legou várias manifestações culturais."(
site da Prefeitura de Ouro Preto)


Esse diminuto lugarejo merece um destaque especial, pois além de ser uma joia rara do barroco  setecentista mineiro parecendo que parou no tempo, é digno de nota, pois neste dia nos deparamos com a procissão de Corpus Christi, piedosamente rezada pelos locais, conforme testemunhamos.

Um fato notável é que, ao longe já podíamos ouvir o povo cantando o Tamtum Ergo- antiqúissima música sacra  cantada em ocasiões solenes.
Ouçam aí no link com performance da Philarmonica de Filadelfia.








Sua Igrejinha de N S das Mercês é de rara beleza e é uma das mais antigas de Minas Gerais, sendo sua construção datada do início do século XVIII.

Após aguardar o termino da solenidade, onde silenciosamente esperamos um momento adequado para atravessar, seguimos rumo a Glaura, caminhando por uma rua calçada e prosseguindo por uma densa e grande trilha.

O lugar  é absolutamente desprovido de qualquer sinal de vida e a trilha seguida prolongou-se por longos minutos, subindo e descendo sempre ladeada de fechada mata.
Meio cabreiros com aquele trilho sem fim sentimos alegria ao nos depararmos com um grande descampado, com um marco à direita sinalizando  que Glaura estava á vista.

De fato lá estava a simples e bela vila de Glaura, fundada no século XVIII.

"Passaram por Glaura vários personagens ilustres. Dom Pedro I em 1830 e Dom Pedro II em 1881, o viajante e sábio naturalista francês Auguste Saint Hilaire em 1817, o naturalista inglês Richard Burton em 1866 e vários outros. Dom Pedro II registrou no seu Diário de Viagem, publicado pelo Museu Imperial de Petrópolis, que dormiu uma noite no arraial de Casa Grande. De Glaura a Soares, na linha do horizonte, está a Serra de Capanema(serra de mato ralo em tupi guarani), denominação decorrente do barão de Capanema, Guilherme Schuch, nascido na fazenda Timboeba( distrito de Antonio Pereira) em 1824 e falecido no Rio em 1908 e que implantou a fazenda no sopé da serra, até hoje existente na Área de Proteção Ambiental do Uaimii.
Engenheiro e mineralogista, realizou pesquisas e e deixou muitos trabalhos científicos. Seu pai, Rochus Schuch, austríaco, veio para o Brasil em 1817 com a missão científica austríaca que acompanhou a princesa Leopoldina de Habbsburg, que depois casou-se com D.PedroI"
(Wickipedia)

Também chamada Casa Grande, é um dos mais antigos distritos de Ouro Preto, tendo sido ponto fundamental da passagem dos bandeirantes e era refúgio dos grandes senhores que tinham o arraial como ponto de divisão entre Vila Rica e São João del Rei.
                             
Descemos a trilha seguindo os marcos e atravessando grande pasto com vegetação alta até desembocarmos numa pinguela estreita por onde corria ruidoso riacho.





Seguimos subindo a trilha para em seguida entrarmos no charmoso distrito, onde locais desfrutam de boas casas e excelente clima. 
Logo estávamos defronte sua famosa Igreja de Santo Antônio, padroeiro da cidade, onde naquele instante estava sendo celebrada missa de Corpus Christi. Adentrei a bela igreja para fazer as orações necessárias, agradecendo ao Pai a segurança e tranquilidade pelo caminho.






Bastante cansados paramos numa lanchonete defronte a Igreja para um rápido lanche e uma skol geladinha. Ali ficamos bom tempo, com as pernas esticadas,quando lembramos que ainda faltavam 7 km até Cachoeira do Campo nosso destino final. Já tínhamos caminhado 28 km de pura montanha!

Já perto das 16.30 resolvemos ir de taxi, pois o caminho era puro asfalto e o movimento do feriado para lá e para cá estava forte. Foi a melhor coisa que fizemos, pois caso contrário chegaríamos de noite no Hotel Bandeirantes, nosso destino em Cachoeira do Campo.
Vejam Aqui informações sobre esse interessante e antigo distrito de Ouro Preto.

Apertados no taxi fomos curtindo o resto da claridade do dia até que chegamos ao Hotel, onde poucos minutos depois chegavam, vindo de São paulo, Sidney, Mario e Hélia, que completariam nosso time para nove pessoas.

Ocupamos nossos quartos e após relaxante banho nos dirigimos ao restaurante local para saborearmos delicioso jantar. O sono neste dia foi reparador.

terça-feira, 11 de junho de 2013

A Estrada Real- Introdução: um percurso pela história de Minas Gerais



Percorrer a Estrada Real (ER),ou melhor parte dela, representou a oportunidade de entrar em contato com um Brasil antigo e conhecer in loco, os caminhos que no passado foram desbravados pelos bandeirantes e exploradores em busca do ouro e diamantes.  
Essa vias ou caminhos, surgiram a partir do seculo XVII- muitas delas originarias de antigas trilhas indígenas - e foram cenário de acontecimentos determinantes para a história do Brasil.
Graças a ER, ocorreram a interiorização  e a urbanização de boa parte do país, alem do surgimento de vilas  e povoados que deram origem a importantes cidades.
A ER tem três caminhos definidos: o Caminho dos Diamantes que vai de Diamantina a Ouro Preto, o Caminho Velho que liga Ouro Preto a Paraty e o Caminho Novo que vai de Ouro Preto ao Rio de Janeiro. Para embalar a narrativa aqui vai um Hino Mineiro:

Coração Brasileiro

Os três caminhos totalizam mais de 1.400 km. 
O Caminho Velho- que foi o que percorri em parte- foi o primeiro  e já a partir do seculo XVII fazia a ligação Vila Rica(hoje Ouro Preto) a Paraty, facilitando a circulação de pessoas, mercadorias, animais, bens, serviços e riquezas minerais.

A partir do ano 1698 entrou em funcionamento o Caminho Novo, que ajudou a diminuir o tempo de percurso entre as minas gerais e o porto do Rio de Janeiro.

Ligando Vila Rica a Diamantina o Caminho dos Diamantes permitiu o escoamento  das pedras preciosas da região do Serro Frio e sem dúvida foi  uma das vias de maior importância estratégica para a coroa portuguesa.

As cidades e vilas pelas quais passei conservam alguns dos ícones e monumentos  deste rico período, incluindo igrejas, museus, os conjuntos arquitetônicos e as preciosidades sacras.
A tradição da ER como principal rota para caminhantes e cavaleiros iniciou-se no seculo 18, mas a partir da abertura dos portos pela Coroa Portuguesa no século seguinte, ela passou a ser percorrida também  por viajantes de outras nacionalidades.

Conhecidos como "naturalistas"eles tinham um olhar atento  e curioso e ainda sólidos conhecimentos acadêmicos. O objetivo desses viajantes que integravam missões oficiais financiadas por governos europeus era, claro, chegar aos desconhecidos trópicos para estudar e coletar pela primeira vez espécies da fauna e flora brasileiras. Graças aos trabalhos desenvolvidos e os resultados surpreendem até hoje, a arquitetura, botânica, zoologia,mineralogia, etc proporcionaram a inscrição de seus nomes  na história das Ciencias Naturais.

Vejamos o que diz o ingles Charles Fox Bambury sobre Diamantina e a Estrada Real: " Não se dá ao Tijuco outro nome alem de arraial, entretanto a população dessa aldeia já que é assim chamada, eleva-se a cerca de 6.000 almas  e o número de casas é de 800. antes mesmo de chegar-se a essa bonita aldeia o viajante fica bem impressionado vendo os caminhos que a ela vão ter. Até a uma certa distancia, os caminhos tinham sido reparados pelos cuidados do intendente e por meios do auxílio de  particulares. Ainda não tinha visto nada tão belo pela província"

Sobre Cocais, vila de rara beleza ele comentou: O arraial de Cocais não é somente o mais belo que ví em Minas, mas ainda o mais magnificamente situado.Está posto em suave declive  e no cimo de pequena montanha que se ergue no meio de um semicírculo formado pela serra que em alguns lugares se cobre de matas virgens e em outros é pedregosa e desnuda. entre o arraial e a serra corre o pequeno rio Una, de pouca água na estação seca. ao longo se suas margens e mesmo até considerável distancia, o solo foi por toda parte escavado e lavado em busca do ouro: estas operações ainda agora se fazem. Longe de mostrar a ruína e decadência que apresentavam em outros lugarejos antes percorridos, daqui as casas tinham um ar de asseio e e elegância  caiadas e cercadas de pequenos pomares com laranjeiras, bananeiras, cafeeiros, etc. A Igreja salienta-se fortemente entre as demais construções, cercadas de palmeiras altas que dão aspecto verdadeiramente tropical"Viagem ao interior do Brasil 1826-1836.

Abaixo foto que fiz em Cocais em 3 de maio deste ano, ainda fiel á descrição de Charles Fox Bambury

Um breve comentário:

A movimentação através do Caminho Velho crescia proporcionalmente à prosperidade da região mineradora. enquanto o ouro  seguia a cada dia em maior quantidade em direção ao litoral, no sentido inverso subia a serra toda sorte de bens manufaturados, quinquilharias e produtos para uso doméstico na agricultura e nas oficinais e ainda para variada comercialização nas vendas e armazéns. Proliferaram neste período os pousos,ranchos e vendas que muitíssimas vezes originaram arraiais, povoados e vilas.

Era de interesse da coroa portuguesa que registros de controle fossem instalados  em locais estratégicos, possibilitando e garantindo maior rapidez do escoamento e abastecimento da região mineradora e ainda favorecendo melhor chance de cobrança de taxas e impostos, bem como controlar as riquezas extraídas com a finalidade de coibir o contrabando.

A  ideia e a viagem.

Quando me programei para caminhar pela ER, sabia das possibilidades de aprender mais sobre a história e melhor ainda, vivenciá-la.
Sendo natural de São João del Rei, cidade por onde passa a ER, ansiava em percorrer esse caminho de vibrantes paisagens, associando a vontade  de caminhar com a possibilidade de fotografar as belezas espalhadas pelo caminho.
A ideia foi sair de Ouro Preto e chegar a SJDR num percurso que segundo o roteiro planilhado constante do site da ER, perfaz um total de 254 km.
Uns seis meses antes contatei os amigos de São Paulo,Brasília e BH e eles se mostraram bastante animados com a ideia.Ao final eramos nove pessoas ávidas por simplesmente andar.Seria nosso quinto caminho juntos.

Feitas as projeções de tempo, percurso, hospedagens, logística e reservas realizadas, tomei o ônibus na rodoviária de Vitória  no ingrato horário de 20.30 h.  Chegaria muito cedo!

Já prevendo a chegada em horário impróprio,telefonei ao hotel para saber da possibilidade de pelo menos me abrigar do frio dentro do hotel.
Com o sinal positivo fiquei mais tranquilo e a viagem se desenrolou sem problemas até Realeza quando o mau tempo atacou e uma chuva pesada me acompanhou até Ouro Preto.
Cheguei ás 4 h da manhã com bastante chuva e o temor de não achar táxi  Mas  para minha surpresa três heroicos taxistas lá estavam esperando passageiros.

O frio e o vento estavam danados e assim peguei a mochila pela alça e fui no táxi até o Hotel Colonial. Bati à porta e um sonolento porteiro veio atender meio a contra gosto, mas assim mesmo adentrei me abrigando do frio e da chuva.


Permitiu que me alojasse no quarto reservado e então pude constatar que a minha mochila estava completamente ensopada, vítima de um posicionamento inadequado no bagageiro do ônibus que, pela quantidade de chuva que caiu, evidenciou péssima impermeabilização tendo  a água penetrado pelas frestas.Algo impensável em ônibus modernos.
A sorte foi que minhas roupas e demais pertences estivessem embaladas em sacos plásticos com fecho de pressão e assim minhas roupas continuaram sequinhas.Tive que encaminhar a mochila para uma lavanderia para que fosse colocada numa boa secadora.
Dormi um sono profundo até as nove horas.

                            Museu da Inconfidência

Um pouco depois que tinha tomado o café e ao sair vi o casal Navarro e Regina arrastando suas malas pelo passeio rumo ao hotel. Conversamos e eles se instalaram.
Logo em seguida saímos para  conhecer a cidade, debaixo de um frio razoável e ventos fortes. Eu já conhecia Ouro Preto desde a época de estudante, mas mesmo assim nunca é demais rever igrejas, museus e suas artes sacras.
O passeio por suas íngremes ladeiras calçadas com pé de moleque é uma atração especial.

As igrejas- verdadeiras obras primas com autoria de Aleijadinho e Manoel Francisco Lisboa, seu pai- e os casarões seculares são as características mais marcantes da história da antiga Vila Rica, que foi  fundada em 1711 tendo sido no período de 1721 a 1897 a capital da Província de Minas Gerais, quando após isso a capital foi transferida para Curral D'el Rei, hoje Belo Horizonte.

      Igrejas de São Francisco e N S do Carmo( a de baixo)
A lavanderia indicada pelo hotel fica nas proximidades da Estação ferroviária e neste espaço da Cia Vale do Rio Doce( abaixo), hoje apenas Vale, visitamos o interessante museu com incríveis componentes da atuação ferroviária daquela companhia.                                        



Voltamos para a cidade alta por assim dizer já que subimos bastante de volta da estação, para visitar o interior da belíssima Igreja de São Francisco onde um grupo recebia de um experiente guia, explicações interessantes à respeito dos equipamentos, vestimentas e demais objetos sacros existentes no interior da igreja e que foram usados desde os primórdios da fundação da Igreja datada de 1713. Importantes imagens com quilos de ouro estavam hermeticamente fechadas em mostruários blindados.

A Casa dos Contos é outro lugar imperdível para os turistas pois a vasta coleção de objetos usados pelos contratadores, senhores e escravos faz do acervo dessa casa um dos mais ricos. Abaixo réplica de objetos para cunhar barras de ouro.

Sobre Vila Rica diz John Mawe (1764-1829) mineralogista inglês:"apesar do cansaço da viagem, que me predispunha ao sono, pus-me a pensar no lugar a que chegamos e que durante muito tempo fora objeto da nossa admiração e de conjectura. Vila Rica-ah! a Vila Rica!capital da Província de Minas gerais  e sede do governo, lugar durante muitos anos o mais rico do Brasil, visto que para aí se levava todo o ouro  encontrado no vasto distrito em derredor. Impaciente por ver sinais de esplendor que o nome indica dormi pouco e levantei-me cedo". Viagem ao interior do Brasil,(1807-18011).  gravura abaixo

   
A história sobre a antiga Vila Rica é vastíssima, com temas importantes como a Inconfidência Mineira e suas consequências.Vejam esse interessante link sobre Vila Rica.

Os poetas inconfidentes perduram até hoje no romanceiro popular.

Uma das casas que visitamos foi onde morou o poeta Tomás Antonio Gonzaga, apaixonado por Marília de Dirceu.



Igrejas que devem se visitadas:


  • Igreja N S da Conceição, projeto de Manoel Francisco Lisboa, pai do escultor Aleijadinho e cuja construção foi terminada em 1746, tem influencias neoclássicas,
  • Igreja Martiz N S do Pilar, construída entre  1712 e 1733 é uma das igrejas em que o barroco mineiro se mostra mais exuberante. mantem um museu de arte sacra no sub solo e exibe imagens do seculo 18,
  • Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, construída entre 1766 e 1812, com pinturas de Manoel da Costa Athaíde e que possui no forro da nave a pintura de  N S rainha dos anjos mulata, cercada de anjos e que é considerada sua obra prima,
  • Igreja N S do rosário dos pretos , construída por vlta de 1770 é considerada exemplar na aplicação do barroco mineiro.
  • Igreja da Ordem Terceira de N S do Carmo cujo risco é de autoria de Aleijadinho e qie possui no teto pinturas de Athaide,
  • Igreja de Santa Efig~enia dos pretos,
  • Igreja de São Miguel e Almas ou dos Santíssimos Corações;
  • Igreja de São Francisco de Paula;
  • Igreja N S das Mercês;
  • capela N S das Dores;
  • Capela de São Sebastião.
Museus:
  1. Museu da Inconfidencia,
  2. Museu da Ciencia e da Tecnologia,
  3. Museu do Aleijadinho,
  4. Casa Guignard,
  5. Casa dos Contos,
  6. Teatro Municipal,
Parques:
  •  Parque Estadual do Itacolomi 
Chafarizes e Passos:
  1. Destaque para os Chafarizes da Glória, na praça Tiradentes, o do Alto das Cabeças , do Poço Santo Antônio e dos Contos. 
Um lugarejo que merece ser visitado é o distrito de  Lavras Novas, localizado a 18 km de Ouro Preto e que se tonou um point por ter sido um povoado que ficou isolado por mais de um século.

Terminando esse périplo por Ouro Preto, aguardei a chegada dos outros amigos e assim que aportaram ao hotel, fomos a um restaurante para o jantar, o que nos levou até ás 22 horas para tomar um saboroso caldo num barzinho da praça onde a música ao vivo completou a noitada.
Na volta ainda apreciamos a confecção dos tapetes de serragens e flores para a procissão de Corpus Christi a ser realizada no dia seguinte. A cidade já mostrava a presença de muitos turistas para esse evento e para o feriado prolongado
                    
                               

Fomos dormir pensando na grande jornada do dia seguinte com destino a Cachoeira do Campo: 34 km de pura montanha mineira!
Segue no próximo post...


terça-feira, 14 de maio de 2013

Lula por trás de Dilma

Não tenho procuração para defender a revista Veja, mas o que ela tem demonstrado contínua e sistematicamente, é a atuação subterrânea do ex presidente Lula, monitorando e para ser mais exato,  na prática conduzindo o governo Dilma.

Parece até que ele tem uma saleta anexa ao Palácio do Planalto onde manipula os integrantes do escalão do governo Dilma como se fossem marionetes.

Pergunto: Porque ele impôs á Dilma a manutenção do Secretário Geral da Presidência na pessoa do Sr Gilberto Carvalho?

Essa pessoa obviamente sabe de TUDO, de todos os podres do seu governo e claro, era de interesse dele que tudo ficasse às escondidas e permanecesse como se tudo fosse uma mentira ou invenção da "mídia golpista".

Lulla consegue ser aquela metamorfose ambulante- conforme ele se declarou anteriormente- mesmo fora do governo.

É, hoje em dia, uma pessoa que vive ás escondidas, não participa de manifestações públicas, excetuando aquelas onde a claque petista é unica, não fala com a imprensa, não dá entrevistas ao vivo, não aceita falar com repórteres, não anda pelas ruas, não participa da vida como uma pessoa normal. Não pode. Porque? Claro por que teme os questionamentos e certamente não vai saber explicar a tremenda corrupção que assolou ( e ainda assola o atual ) o seu governo. Vai dizer que não sabia de nada.

Porque Lula não vem à público explicar a sua relação de intimidade - política que seja- com a sra Rosemary? 
Hoje, dia 13 de maio, são decorridos 171 dias desde que a imprensa- Veja na verdade- colocou para todo mundo ver a relação de promiscuidade daquela senhora com o poder. Negociatas foram feitas e até hoje permanecem engavetadas  noa arquivos de Lula. Não vai revelar nada porque é uma podridão total. 

Gilberto Carvalho tentou retirar da casa Civil a investigação das atividades ilícitas de Rosemary, a ex-chefe de gabinete presidencial em São Paulo. Não conseguiu e por isso produziu um documento  questionando o resultado do trabalho.

A política brasileira está podre e o povo ordeiro, trabalhador, que paga os impostos mais altos do mundo, não dispõe de estradas, portos e aeroportos modernos,anda apertado em ônibus não adequados carregando sua marmita, trabalha oito horas por dia,  não possui educação pública de qualidade para os filhos e quando fica doente vai para o SUS.Está sofrendo com  a situação apesar da propaganda oficial e dos 35 bilhões anuais gastos com de dezenas de "bolsas".

Quantos bilhões foram - e estão sendo gastos - com a construção dos estádios e obras correlatas para a copa do mundo? E o superfaturamento, os aditivos, as licitações escabrosas?

O PT está dando passos rápidos para a implantação de uma ditadura do proletariado, basta ver as ações tomadas nos últimos meses.



segunda-feira, 13 de maio de 2013

Coronel Ustra



"O coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra afirmou nesta sexta-feira, 10, que "lutou pela democracia" e negou ter cometido crimes durante o regime militar.

"Nunca fui assassino", disse Ustra aos integrantes da Comissão Nacional da Verdade.
 Em seu depoimento afirmou ainda que a presidente Dilma Rousseff participou de "organizações terroristas". O Estado de São Paulo.

È autor do livro ' A verdade Sufocada- a história que a esquerda não quer que o Brasil conheça.

O livro resgata a verdade de um período histórico totalmente distorcido por aqueles que hoje encobrem os seus reais desígnios de transformar o Brasil em um satélite do comunismo internacional, com a falácia de que lutaram contra uma ditadura militar para promover a liberdade e a democracia.
A obra desfaz mitos, farsas e mentiras divulgadas pelos derrotados para manipular a opinião pública e para desacreditar e desmoralizar aqueles que os venceram.
Em linguagem coloquial, A Verdade Sufocada narra o período pré-1964, quando a efervescência dos movimentos subversivos e a influência de Cuba sobre os nossos comunistas quase conduziram o País ao caos; narra os motivos que levaram os militares, apoiados pela mídia, a pedido da sociedade, a desencadear a Contra-Revolução de 1964.
Faz um relato pormenorizado sobre o entrechoque entre os Órgãos de Segurança e as organizações comuno-terroristas. O livro apresenta provas irrefutáveis, que permitem aos leitores fazer um verdadeiro juízo de valor sobre a realidade dos fatos ocorridos naqueles anos conturbados. Cita pessoas, organizações e crimes praticados em nome de uma democracia e de uma liberdade que eles jamais praticaram. O livro abrange o período que vai da Intentona Comunista até os dias atuais.
Trata-se de um alerta aos jovens para que não sejam usados. É um paralelo entre o passado recente de nossa História e os dias atuais.
Realmente é uma história que muitos não querem que o Brasil conheça.É verdade que alguns setores não querem difundi-la. Ainda continuam tentando sufocá-la. Poucas livrarias se dispuseram a vender o livro. Algumas vendem, mas não o expõem nas vitrines. É um livro que incomoda, porque traz à luz a verdadeira história dos “heróis” cultuados hoje, de seus atos terroristas, de seus crimes e das organizações a que pertenciam.
A Verdade Sufocada desvenda os “justiçamentos” que eles praticaram em nome da “liberdade” e da "democracia".
Acaba com o mito de que as Forças Armadas lutaram com seus tanques contra estudantes armados de estilingue e meninos inocentes.
Desvenda os “justiçamentos” que eles praticaram em nome da “liberdade”.






sexta-feira, 10 de maio de 2013

Uma visão da cordilheira do Caparaó

                                        
Voltei a Irupi, que na língua indígena significa "lugar de águas tranquilas e bom amigo" para realizar mais uma caminhada pelas beiradas da Serra do Caparaó. Julgo esta serra fantasticamente bela.

Irupi está se articulando turisticamente para ser uma nova rota de andarilhos e segundo as autoridades, está implantando a Rota Imperial. devidamente assessorado pelo Instituto Estrada Real de MG.
                                                          Irupi a Santa Marta
Desta vez fui acompanhado pelos amigos do grupo"andarilhos.org" que, sensibilizados pela beleza das fotos que fiz no começo do ano, não resistiram ao apelo da famosa cadeia de montanhas.

Saímos de Vitória ás 19.45 h depois de um transito infernal que atrasou a saída das vans, na certeza de que o  percurso de 200 km seria demorado, ainda mais numa estrada perigosa como a BR 262.

Logo após Marechal Floriano paramos num posto para um rápido lanche, uma vez que muitos saíram direto do trabalho para dentro das vans. Ali mesmo acabamos com o estoque de frango frito e espetinhos de frango disponíveis no pequeno bar do posto.

Seguimos com cuidado pela estrada sinuosa, ora enfrentando carretas vagarosas, ora nos deparando com neblina traiçoeira. 

O tempo foi passando e chegamos ao trevo que vai a Iúna  onde se dá o acesso a Irupi. À esta se chega pegando-se á direita um pouco antes da cidade de Iúna  Lá chegamos por volta de 0.30 h, com quase ninguém nas ruas,mas  por sorte o Valdeccio da |Pousada Encantos do Caparaó ainda nos esperava com cara de sono.
                                                         Irupi a Santa Marta
Depois de uma meia hora de papo, cada qual foi para sua cama para dormir umas poucas horas, pois o café estava marcado para às  6.30 h. Sono tranquilo com colchões macios e lençóis limpos.

                                                           Igreja matriz de Irupi                                      

Pulei da cama ás 6.00 h com uns trinca-ferros desafiando-se mutuamente numa casa ao lado. O dia claro e céu límpido previam um caminho brilhante totalmente favorável ás fotos.

                                                      Irupi a Santa Marta
Após um excelente café da manhã,  dirigimos-nos até a praça central para um encontro com o prefeito que, diplomaticamente, apresentou as boas vindas ao grupo, desejando-nos alegre estadia e percurso pelo município.

Tomamos o rumo da Trilha do Aventureiro recentemente implantada pelo Valdécio que acompanhado do filho ciclista, acompanhou-nos pelo roteiro estabelecido.
                                                    Irupi a Santa Marta
Um forte ascenso vencido, paramos por uns minutos admirando a beleza da paisagem com a cidadezinha ao longe,

Logo após a primeira dobrada do morro avistamos o imponente Maciço do Caparaó com seus picos famosos: Bandeira, Cristal e Calçado(abaixo)
Continuamos subindo no meio de cafezais dignos de registro, pois mostravam um cultivo de  fino trato,com excelente limpeza das ruas e em curvas de nível.Notei uma adubação eficiente pela cor verde escura da folhagem.
                                              Irupi a Santa Marta
 Essa é a cultura predominante na região e seu valor econômico  revela-se nos preços pagos por esse excelente arábica.                                           

Num ponto acima conhecemos a Gruta de São Quirino, bela formação geológica de grande altura e profundidade.
                                         Irupi a Santa Marta
Voltamos para a trilha original, percorrendo ainda extensos cafezais, intercalados de fechada mata nativa.
                                           Irupi a Santa Marta
 A beleza da região pode ser notada ainda nas fotos abaixo, com suas casinhas típicas de fazenda.
                       





A trilha de sete quilômetros e meio terminou na estradinha rural que liga Irupi até Santa Marta, sempre margeada pelos extensos cafezais, eucaliptos e criações de gado bovino.
                                         
As casas típicas, objetos constantes de minhas fotografias, retratam a verdadeira identidade dos locais, na absoluta maioria simples e hospitaleiros.
Debaixo de sol forte chegamos à Comunidade do Aventureiro, onde ficamos uns minutos descansando. A hidratação naquele momento, depois de uns dois litros de água pelo caminho, foi com umas geladas cervejas.
Restabelecidos voltamos ao caminho, agora rumo a Pedra Roxa onde chegamos por volta de 13.30 h debaixo de escaldante sol.

No bar do Pité novo pit stop para descanso e mais hidratação, já que ninguém é de ferro!
À essa hora do dia, famintos, cansados e torturados pelo forte sol alguns andarilhos pegaram carona nas vans e se mandaram para o restaurante do Sinval, local previamente acertado para o almoço.

Alguém comentou que dali ao Sinval seriam mais sete quilômetros e achamos, eu e mais quatro andarilhos, que seriam moleza.

Mal sabíamos que seria diferente, pois subimos pelo asfalto por mais de três ou quatro quilômetros sem encontrar pessoa alguma para informações. Seguimos caminhando  até encontrarmos um motociclista que nos  informou  ser a distancia até a entrada do restaurante outros sete quilômetros.

Com essa informação apontou lá para o fundo do vale um telhado que seria a casa  referencia para então converter à direita e galgar uma forte subida de uns três quilômetros  até o final.Passava das três da tarde

Com isso ficamos algo desanimados, mas  logo apareceu a van do Abmael para nos rebocar até o restaurante, dizendo que nós eramos os últimos e pelo avançar da hora achava que chegaríamos muito tarde. Todos já estavam almoçando tranquilamente. 


O restaurante Vale dos Muriquis é uma casa simples situada num local belíssimo,cercado por altas montanhas, mata verde e riachos de águas límpidas e claras.


Almoçamos uma excelente comida caseira, devidamente acompanhadas de uma boa cachaça da região e das indefectíveis cervejas geladas.
                                                                             
Voltamos para Vitória passando por Ibitirama sem que os amigos pudessem conhecer a Tecnotruta- belo criatório de trutas, um pouco acima do restaurante.

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